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Publicado em 5 de Janeiro de 2018 às 09:28
Reforma trabalhista começa a atingir call center do Itaú

Reginaldo de Oliveira/Martins e Santos Comunicação

Depois do Santander, o Itaú também começou a implantar mudanças prejudiciais aos bancários, respaldado pela nova legislação trabalhista de Michel Temer que passou a vigorar no dia 11 de novembro. Os funcionários do call center lotados no Centro Administrativo Tatuapé (CAT) e no ITM não poderão mais escolher quando entrarão em férias.

 

Antes, o funcionário indicava três datas, e o gestor selecionava uma para o início do período de férias. Os bancários denunciam que foram comunicados a desconsiderar essa seleção, mesmo os que já haviam apontado as datas. Também foram informados de que o setor jurídico e o RH do banco deliberarão sobre as novas regras para o gozo de férias de acordo com as mudanças embarcadas na reforma trabalhista.

 

A nova lei determina que as férias poderão ser fracionadas em até três períodos, desde que nenhum deles seja menor do que cinco dias, e serão definidas diretamente entre gestor e empregado, em uma correlação desigual de forças, já que o empregador terá o poder de impor a data que melhor convier ao banco, sob a prerrogativa de demitir o trabalhador que não aceitar os termos determinados pela empresa.

 

“Resumindo, o banco decidirá e o bancário terá de aceitar. As áreas de call center viraram um barril de pólvora, porque muitos trabalhadores com filhos já haviam escolhido a data para coincidir com as férias escolares e estavam na expectativa, mas com essa mudança unilateral e em cima da hora, tudo está em suspenso. Muitos agora sequer sabem quando e como vão poder tirar as férias”, relata o dirigente sindical de São Paulo e bancário do Itaú Júlio César Silva Santos.

 

Trabalho aos fins de semana – E as mudanças no call center não param por aí. Sem qualquer negociação, o Itaú mudou as escalas de trabalho aos finais de semana. Antes, o banco seguia um parâmetro que procurava respeitar dois sábados e domingos seguidos de descanso. Com a nova regra, os bancários terão de trabalhar um final de semana a mais, passando a descansar apenas um final de semana ao mês. Com essa alteração, o banco abriu a possibilidade para o bancário trabalhar até cinco plantões seguidos.

 

“Antes o funcionário tinha a possibilidade de se programar para uma viagem, mas essa mudança irá gerar uma grande sobrecarga de trabalho, o que poderá aumentar os riscos de doença ocupacional e problemas emocionais”, afirma Júlio César.

 

“O banco implantou essa mudança sem qualquer diálogo com o Sindicato, mesmo tendo se comprometido a abrir um canal de negociação sobre este tema, o que não fez, impondo novas regras para uma rotina que já era ruim e ficará ainda pior”, protesta Júlio César.

 

Fonte: SEEB/São Paulo

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