1 de Outubro de 2026 às 15:53
BB é do Brasil
A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) divulga carta aberta à população brasileira em defesa do caráter público, da presença nacional e do papel social do Banco do Brasil.
No documento, a representação das funcionárias e dos funcionários destaca a trajetória de mais de dois séculos da instituição e sua importância para o desenvolvimento do país, o financiamento da agricultura, o apoio aos pequenos negócios e a oferta de serviços bancários em diferentes regiões.
A carta também aborda as condições de trabalho no Banco do Brasil, a necessidade de valorização das funcionárias e dos funcionários, a importância da recomposição do quadro de pessoal e os impactos da modernização tecnológica sobre o atendimento à população.
Outro ponto destacado pela CEBB é o debate sobre propostas de privatização do Banco do Brasil. A comissão defende a manutenção do caráter público da instituição e chama a sociedade a participar da discussão sobre o futuro do banco.
Leia abaixo a carta aberta da Comissão de Empresas dos Funcionários do Banco do Brasil na íntegra:
Carta aberta à população brasileira
O Banco do Brasil não nasceu para ser apenas um banco. Nasceu com o Brasil, cresceu com o Brasil e, há mais de dois séculos, carrega o país nas costas. Financiou a safra, abriu caminhos, sustentou o pequeno negócio, pagou o salário e a aposentadoria de quem nunca teve outra porta para bater. Essa história não pertence a acionistas, a gestões de passagem ou a planilhas. Pertence ao povo brasileiro.
Há lugares deste país onde o Estado chega pela agência do Banco do Brasil ou simplesmente não chega. Em centenas de municípios, longe dos grandes centros, ela é a única porta aberta. É ali que o aposentado recebe o que trabalhou a vida inteira para merecer, que o trabalhador movimenta seu salário, que o agricultor familiar consegue crédito para plantar, que o pequeno empreendedor aposta em seu sonho. Onde o mercado não quis ir porque não enxergava lucro, o Banco do Brasil foi, porque enxergava gente.
Por isso, dizemos com clareza: fechar agência não é corte de custo, é abandono. Cada porta que se fecha empurra uma comunidade para mais longe da cidadania, aprofunda a desigualdade e entrega o interior à própria sorte. Um banco público não pode medir seu tamanho apenas pelo balanço. Mede-se pelo Brasil que alcança.
E quem faz esse alcance acontecer tem nome, rosto e família. São os funcionários e as funcionárias do Banco do Brasil. São eles que acolhem o cliente aflito, explicam o crédito ao produtor rural, sentam ao lado do empreendedor, transformam política pública em comida na mesa. Sem eles, o banco é só um prédio e uma marca. Com eles, é a presença do país onde mais se precisa dele.
Por isso, é importante lembrar: não existe Banco do Brasil forte com trabalhador adoecido. Queremos condições dignas de trabalho. Exigimos cuidado com a saúde física e mental de quem adoece dando o melhor de si. Exigimos o fim de toda forma de assédio, da cobrança desumana de metas, do medo como método de gestão. Exigimos a recomposição do quadro de pessoal, porque ninguém sustenta por muito tempo o trabalho de três.
Não somos contra o futuro. Queremos um banco moderno, inovador, tecnológico. Mas modernizar não é desmontar. A tecnologia deve somar ao atendimento humano, jamais servir de pretexto para esvaziar agências, sobrecarregar quem fica e abandonar quem depende da presença física do banco. Inovação que exclui não é progresso. É retrocesso com verniz novo.
Os números robustos do Banco do Brasil provam o que sempre sustentamos: é possível ser eficiente, sólido e rentável sem deixar de ser público. É isso que separa um banco do povo de uma máquina de lucro. A riqueza que o banco produz nasce do trabalho de seus funcionários e da confiança da sociedade, e deve retornar em respeito a quem trabalha e a serviço de quem precisa.
Esta carta é, portanto, um chamado. Ao povo brasileiro, que tem no Banco do Brasil um patrimônio seu e deve zelar por ele. Aos funcionários e às funcionárias, que sustentam esta instituição todos os dias e não estão sozinhos. Às comunidades, aos produtores, aos aposentados, aos pequenos negócios que dependem dessa rede. Defender o Banco do Brasil é tarefa de todos.
E essa tarefa nunca foi tão urgente. Candidatos à Presidência da República anunciam a intenção de privatizar o Banco do Brasil, como quem fala de uma loja qualquer, de um bem que se vende para fechar a conta. Não é. Vender o Banco do Brasil é vender a agência que sustenta o município esquecido, o crédito que faz a safra, a tranquilidade de quem se aposentou. É entregar a banqueiros o que o povo levou mais de dois séculos para construir.
E sabemos o que vem depois: agências fechadas onde o lucro não é imediato, juros mais altos para quem mais precisa, demissões, o interior abandonado à própria sorte. Privatizar é trocar o interesse público pelo ganho de poucos. A isso dizemos não. Não antes da eleição, não depois dela, não em governo nenhum.
O Banco do Brasil não está à venda, porque o Brasil não está à venda. Quem quiser governar este país terá de responder, olhando nos olhos do povo, se está ao lado de quem constrói esse banco todos os dias ou de quem quer comprá-lo.
Um Banco do Brasil público, forte, presente em cada canto do país e com funcionários valorizados não é um favor. É uma conquista a ser defendida e a condição para um Brasil mais justo, desenvolvido e inclusivo.
O Banco do Brasil é do Brasil. Defendê-lo é defender o povo brasileiro.
Link: https://sindicario.com.br/banco-do-brasil/funcionarios-do-bb-publicam-carta-aberta-em-defesa-do-carater-publico-do-banco/