12 de Dezembro de 2008 às 11:18

Bancários defendem empregos e caráter público da Nossa Caixa

Em audiência pública na Alesp, os bancários alertaram deputados que eles serão responsabilizados por eventuais demissões, caso não aprovem as emendas

São Paulo – Cerca de 400 bancários de várias partes do Estado lotaram nesta quarta-feira, 11, o auditório Franco Montoro, da Assembléia Legislativa, para exigir dos deputados garantias de empregos e direitos para os funcionários da Nossa Caixa.
 
Os trabalhadores deixaram claro aos parlamentares que a Assembléia Legislativa será culpada, caso haja um processo de demissão após a incorporação do banco estadual pelo BB. Os deputados devem votar na semana que vem o Projeto de Lei (PL) 750/2008, que autoriza a venda da instituição.
 
“O negócio é muito bom para o Banco do Brasil e para o governo do Estado. Então tem que ser bom para o funcionalismo também. E isso só acontece se os empregos e direitos estiverem garantidos. E uma garantia formal, não adianta nada o compromisso verbal. A Alesp precisa aprovar as emendas que trazem segurança para os bancários da ativa e aposentados”, disse o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, na tribuna do auditório.
 
O dirigente avisou os deputados que o Sindicato é contra a venda da Nossa Caixa e defendeu a manutenção do último banco de fomento do Estado. “Desde os anos 1990 o PSDB tenta privatizar o banco e a resistência dos funcionários foi fundamental para que isso não acontecesse até agora”, ressaltou Luiz Cláudio.
 
O presidente da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo (Fetec-SP), Sebastião Cardozo, disse aos deputados que os sindicatos estão recebendo uma série de denúncias de funcionários que já estão sofrendo ameaças de demissão. “Se nós não tivermos garantias formais de emprego, a situação para os bancários da Nossa Caixa vai ser trágica. Assim que o banco for vendido vai começar uma verdadeira carnificina e os sindicatos não vão creditar esta tragédia somente ao governo do Estado. A Assembléia vai ser responsabilizada também se as emendas que garantem os empregos e direitos não forem aprovadas”, afirmou.
 
Os bancários da ativa e aposentados participaram da Audiência Pública. O líder do PT, Roberto Felício, parabenizou os bancários pela luta e disse que a bancada vai votar a favor das emendas que garantem a manutenção dos empregos e direitos. “Os representantes dos trabalhadores nos procuraram e apresentaram suas reivindicações. A partir das reuniões que tivemos, a bancada do PT apresentou suas emendas. Agora vocês precisam pressionar os deputados para aprová-las, pois só assim os bancários terão garantias formais”, explicou o deputado.
 
Uma das falas mais aplaudidas foi a do deputado Major Olímpio (PV). Aparentemente emocionado, ele citou Abraham Lincoln: “quando o estrategista erra, o soldado morre. E o estrategista, neste caso o governador José Serra, é muito ruim. A Assembléia precisa aprovar as reivindicações dos trabalhadores, porque até agora o único na Nossa Caixa que tem o emprego garantido é o presidente da instituição (Milton Luiz de Melo Santos, que estava presente)”.
 
Constrangido - A audiência pública começou com uma explanação do secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa, que tentou mostrar o lado positivo da venda da Nossa Caixa. Assim que terminou de falar, praticamente todos os que sucederam desmontaram os argumentos apresentados. Em alguns momentos, o secretário ficou visivelmente constrangido.
 
Além do secretário e dos deputados Roberto Felício e Major Olímpio, participaram da audiência o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, e os deputado Cido Sério, Vicente Cândido, João Barbosa, Waldir Agnello, Mauro Bragato, Vitor Sapienza, Samuel Moreira, Davi Zaia, Hamilton Pereira, Barros Munhoz, Marcos Martins, Rui Falcão, Maria Lúcia Amary, Enio Tatto, Gilmaci Santos, Jonas Donizette e Raul Marcelo.
 
A Assembléia apresentou 43 emendas, 26 delas proíbem demissões, perda de direitos e fechamento de agências. O Sindicato orienta que todos os trabalhadores enviem e-mails (veja modelo abaixo) para os deputados a fim de pressionar pela aprovação das emendas. O PL enviado pelo governador José Serra, que em seu texto original não traz nenhuma garantia para os bancários, tramita em caráter de urgência e deve ser votado no dia 17 de dezembro.
 
Modelo - Nós, bancários, conhecemos muito bem os efeitos das fusões e aquisições no Brasil. Mais da metade dos postos de trabalho da categoria já foi fechado nas últimas décadas, fruto desse processo. Agora que a Nossa Caixa está sendo vendida para o Banco do Brasil, queremos garantias de emprego e dos direitos e benefícios do pessoal da ativa e aposentados, além da manutenção e ampliação da rede de agências. Para isso, contamos com seu apoio na aprovação das emendas que atendem nossas reivindicações, no projeto de lei 750/08.
 
Fábio Jammal Makhoul, do Seeb/SP
 

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