17 de Junho de 2009 às 10:35

Unibanco demite bancário com deficiência física e LER em São Paulo

O Unibanco acaba de promover uma demissão "criminosa" e que revela toda a falta de sensibilidade da empresa. Trata-se de um deficiente físico, que teve a saúde prejudicada por uma doença ocupacional adquirida por causa do banco.

O saco de maldades não pára por aí. O Unibanco também anunciou a demissão de outra bancária, que está com câncer de mama e acabou de ser operada. Pior, com a dispensa, a Unimed suspendeu o plano de saúde e a bancária está tendo de arcar com a radioterapia do próprio bolso.

"Cadê a responsabilidade social que o Unibanco prega em suas propagandas?", questiona o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Carlos Miguel Damarindo, o Carlão. "O mínimo que o banco poderia fazer nessa situação é dar todo o conforto que esses dois bancários precisam para se recuperar dos problemas de saúde. Mas, em vez disso, o Unibanco demite quem não pode produzir como antes e acaba gerando prejuízos até psicológicos, pois na hora que o bancário mais precisa do emprego é dispensado como um objeto que perde a utilidade. Todas essas demandas foram encaminhadas para o RH do banco e o Sindicato está pressionando a direção da empresa e exige a reintegração imediata do funcionário e a suspensão da dispensa da bancária com reembolso do dinheiro gasto com a radioterapia", afirma.

LER

Carlão relata que o empregado com deficiência física foi contratado pelo banco em janeiro do ano passado só para atingir a cota mínima exigida pela lei. Portador de uma doença congênita, o funcionário tem dificuldades com a perna e o braço esquerdos. "Mas o banco nunca considerou a deficiência do bancário e o colocou para exercer a função de caixa. Como ele praticamente só movimenta a mão direita, todo o serviço era feito com ela, o que acabou gerando uma série de problemas no braço que antes era bom, como LER/Dort e bursite. Ele foi afastado pelo INSS duas vezes e sempre que retornou o banco colocou-o na mesma função que o adoeceu, apesar de o médico ter pedido para que ele não trabalhasse mais como caixa", explica.

O bancário voltou do último afastamento no dia 19 de maio. Com dificuldades para exercer a função, pediu para o gerente trocá-lo de atividade. O gestor, entretanto, mostrou a mesma postura insensível do banco e disse para o bancário não se preocupar porque o Unibanco havia preparado uma "surpresa" para ele. No dia 5 passado, a "surpresa" foi a demissão.

"A postura do gerente é um reflexo do ambiente de trabalho imposto pelo Unibanco, em que as pessoas ficam num segundo plano e o lucro e superar metas são as únicas coisas que interessam. Apesar da forma desumana com que o banco trata seus empregados e clientes, nada justifica a atitude do gerente, pois só um mau caráter pode zombar de um colega demitido, ainda mais nas condições em que esse bancário foi dispensado", afirma Carlão.

Câncer

Entre os bancários do setor que "não pertencem à nova estrutura" está uma funcionária com câncer de mama. Ela acaba de fazer uma cirurgia e está iniciando a radioterapia. "No momento em que a bancária mais precisava de apoio, o Unibanco simplesmente virou as costas. A funcionária conta que mesmo quando descobriu a doença e logo após a cirurgia não se afastou do trabalho porque queria se sentir produtiva", detalha Carlão.

Com a demissão anunciada, o banco e a Unimed não autorizaram que a bancária continuasse com a radioterapia. "Como é urgente, ela pagou do bolso R$ 5.022,30 para fazer o tratamento. A postura do Unibanco com essa bancária e o colega com deficiência física é absurda e merece ser denunciada e repudiada por toda a sociedade", finaliza o dirigente.

Fonte: Seeb São Paulo

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