2 de Setembro de 2026 às 11:39
ACT
Depois de 10 rodadas de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, iniciadas no dia 8 de julho, a Caixa Econômica apresentou a proposta final para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) das empregadas e empregados, que, nos dias 3 e 4 de setembro (quinta e sexta-feira) irão para votação em assembleias sindicais da categoria em todo o país.
“É importante que todos estejam informados, estimulem os colegas a também conhecer a proposta, participem das assembleias e votem com consciência. Pois é o voto de cada um que decidirá os rumos da campanha”, disse a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Veja abaixo alguns destes avanços:
• Promoção por Mérito: retirada do Alcance.Caixa dos critérios para obtenção dos deltas, atendendo reivindicação da CEE. A Caixa também aceitou que os deltas relativos aos anos-base de 2026 e 2027 sejam pagos, respectivamente, em janeiro de 2027 e janeiro de 2028, para que a progressão produza efeitos durante todo o ano, e garantindo a possibilidade de dois deltas, sem a utilização do Alcance.Caixa como critério. Cada delta significa, em média, 2,31% de aumento na remuneração base.
• Carreira e remuneração: criação de um GT com participação das entidades para discutir PFG, PCS, Processos Seletivos Internos e remuneração variável. A CEE cobrou início dos trabalhos logo após a campanha e calendário intensificado ainda em 2026.
• Figital e Genesys: suspensão, até 31 de dezembro, da penalização no Alcance.Caixa relacionada ao tempo de atendimento/transbordo e ampliação do prazo de cinco para dez minutos. Também foi conquistada agenda específica de negociação para discutir o próprio modelo de trabalho, inclusive sobrecarga e o fim do atendimento simultâneo presencial e digital.
• Abono pecuniário de férias: possibilidade de conversão de dez dias em dinheiro independentemente do período de fruição das férias.
• Direito à desconexão: proteção do período fora da jornada, inclusive a proibição do uso de WhatsApp e outras ferramentas de mensagens a qualquer hora do dia e da noite e de qualquer outra ferramenta fora do expediente.
• Pessoas com deficiência: avanço no processo de enquadramento como PCD, inclusive pessoas com TEA, e possibilidade de adequações relacionadas à modalidade de trabalho e de redução de até 25% da jornada para realização de tratamento durante o horário de trabalho.
• Diversidade e equidade: compromissos relacionados à equidade nos processos seletivos, realização periódica do Censo da Diversidade, fortalecimento dos coletivos, equidade de gênero, campanhas antidiscriminatórias e de acessibilidade física, tecnológica e comunicacional.
• Programa Saúde Integral: ampliação para ações de saúde cardiovascular, dependências relacionadas a tabagismo, substâncias e jogos e atendimento especializado e contínuo a partir dos resultados do PCMSO, com custos totalmente cobertos pela Caixa, sem impacto ao Saúde Caixa.
• Ausências permitidas: ampliação de possibilidades relacionadas ao acompanhamento médico de filhos/enteados, tirando o limite de idade de 18 anos e permitindo o uso pelo próprio empregado; maior flexibilidade para utilização das ausências ligadas à paternidade e casamento; e até três dias anuais para exames preventivos de câncer e HPV.
• Licença-saúde: avanço para impedir que a devolução do adiantamento salarial comece enquanto ainda houver recurso contra indeferimento do INSS, além de possibilidade de parcelamento ou compensação em caso de decisão definitiva desfavorável. A proposta da Caixa permite ainda a possibilidade de tornar o adiantamento facultativo.
• Rede do Saúde Caixa: o acordo de reciprocidade com a Cassi, reivindicação antiga da representação dos empregados, amplia potencialmente a rede credenciada e ajuda a enfrentar vazios assistenciais.

A Caixa afirmou que as mudanças de custeio cobradas dos usuários acrescentariam aproximadamente R$ 190 milhões. O valor é insuficiente para cobrir o déficit projetado para 2026. Para cobri-lo, a Caixa vai entrar com cerca de R$ 540 milhões, com o adiantamento dos valores que ela vai pagar ao plano a título de 13º. E, em 2027, vai iniciar os procedimentos necessários para ampliar o teto de 6,5% para 8%.
Tanto a ampliação da contribuição da Caixa, quanto a retirada do que a Caixa paga em decorrência das ações judiciais dos usuários do PAMS são reivindicações históricas dos empregados.
Na proposta, a Caixa vai iniciar, em 2027, os procedimentos necessários para ampliar o teto de 6,5% para 8%. Isso permitiria que o banco colocasse mais R$ 600 milhões no plano a partir do ano que vem. Na parte dos usuários, o titular da ativa passa para uma contribuição progressiva por idade. Atualmente, todos pagam 3,5% da remuneração base. Na proposta que será votada nas assembleias, os mais jovens passam a pagar 2,7% e o percentual aumenta até 4,5%, conforme a idade.
Os dependentes também passam a pagar de acordo com a faixa etária (entre R$ 480 e R$ 660). O teto familiar passa de 7% a 9% da remuneração base.
Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passa para 4,5%, os dependentes para R$ 660 e o teto familiar também para 9%.
Em todos os casos, mesmo que se atinja o teto de 9%, há um piso de R$ 50 por usuário. A cobrança visa evitar que haja isenções de pagamento.
Para estimular o uso da telemedicina, que gera menos custos para o plano, esse tipo de consulta passa a ser isento de coparticipação. Internações e tratamentos oncológicos também seguem isentos de coparticipação. O valor da consulta em pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150, e o limite anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800.
A proposta prevê ainda recadastramento anual dos titulares e grupos familiares e abertura de um prazo de 90 dias para adesão de titulares que atualmente estejam fora do Saúde Caixa. Encerrado esse período, quem cancelar sua adesão não poderá voltar ao plano.

O Relatório de Administração de 2025 mostra que as despesas do Saúde Caixa atingiram R$ 4,39 bilhões, crescimento superior a 22% em apenas um ano, enquanto as receitas ficaram em R$ 3,76 bilhões, aumento de aproximadamente 5%. O resultado foi um déficit operacional de R$ 627,8 milhões. Para cobri-lo, a Caixa irá aportar cerca de 540 milhões, com o adiantamento da parcela do banco referente ao 13º dos anos de 2027 e 2028; além de retirar as despesas do PAMS do teto estatutário, já em 2026.
As despesas médicas crescem em ritmo muito superior à folha. Tanto devido à inflação médica, quanto devido ao aumento do uso do plano. O custo assistencial anual por usuário saltou de aproximadamente R$ 9,85 mil em 2022 para R$ 15,82 mil em 2025, crescimento de 60,6%. Entre 2024 e 2025, o avanço foi de aproximadamente 23,5%.



Diversos temas negociados na mesa única com a Fenaban também são aplicados aos empregados e empregadas da Caixa. Veja alguns deles:
• Aumento real por dois anos: reposição integral do INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e em 2027, para salários e demais verbas econômicas.
• VA, VR e auxílio-creche/babá: também terão INPC + 0,6%.
• PLR: INPC + 0,6%, tanto na regra básica quanto na parcela adicional.
• Todos os direitos da CCT foram preservados, depois de a Fenaban ter apresentado propostas com perdas salariais, congelamento de verbas e retirada de direitos.
• Saúde mental e NR-1: participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, ampliando a intervenção dos trabalhadores na identificação e prevenção dos fatores que levam ao adoecimento.
• Combate ao assédio: canal de denúncias passa a abranger também situações de assédio praticadas por clientes contra trabalhadores.
• Monitoramento digital: maior transparência e limites para ferramentas de vigilância e controle, com previsão de gestão humana da tecnologia.
• Abono da paralisação de 20 de agosto nas bases que aprovarem a proposta.

Por: Contraf
Link: https://sindicario.com.br/campanha-nacional-2026/caixa-conheca-a-proposta-que-sera-votada-na-assembleia/