23 de Março de 2026 às 08:00
Violência de Gênero

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região celebrou o Mês das Mulheres com casa cheia na última sexta-feira (20). A palestra "Pela Vida das Mulheres", conduzida pela feminista e ex-ministra Cida Gonçalves, mobilizou bancárias, bancários e convidados para uma discussão essencial sobre a realidade feminina no país, reafirmando o compromisso do sindicato com as pautas sociais.
Antes do debate, a abertura cultural ficou por conta do grupo Sampri. A apresentação carregou um forte simbolismo: formado por três irmãs negras, o trio é pioneiro no gênero em Mato Grosso do Sul.

“Este é um sindicato de luta e reflexão. Abrimos nossas portas hoje para dizer que não aceitamos mais a violência contra a mulher e ficamos felizes em ver que os homens também vieram somar nessa causa”, afirmou a presidenta do sindicato, Neide Rodrigues. “Estaremos sempre na linha de frente para defender cada trabalhadora, garantindo que nenhuma de nós passe por situações de violência”, disse.
Neide destacou as conquistas históricas na defesa dos direitos das bancárias, enfatizando o pioneirismo da categoria ao garantir, em convenção coletiva, proteção específica para vítimas de violência doméstica. “O Comando Nacional vai além da campanha salarial; discutimos questões sociais profundas, como o programa que assegura às bancárias em situação de risco a transferência de unidade, linhas de crédito e suporte essencial para preservar suas vidas”, explicou.

O suporte às mulheres ganhará um novo reforço em maio. Segundo a secretária de Mulheres, Luciana Rodrigues, o sindicato lançará o projeto "Basta! Não irão se calar", que oferecerá assistência jurídica às trabalhadoras bancárias vítimas de violência.
“Não podemos aceitar os índices alarmantes de violência doméstica como algo normal; precisamos debater e encontrar caminhos juntos para mudar essas estatísticas. O lançamento deste projeto em Campo Grande é uma vitória especial para todas nós”, celebrou Luciana.
Após a abertura, Cida Gonçalves conduziu a palestra central, abordando temas cruciais como a desigualdade salarial, o avanço do ódio nas redes sociais e a urgência de uma mobilização coletiva para erradicar o feminicídio. A ex-ministra apresentou dados alarmantes, pontuando que mulheres trabalham, em média, três meses a mais por ano para equiparar o ganho dos homens - disparidade agravada pela sobrecarga doméstica, que consome 21 horas semanais a mais das mulheres.

Um dos pontos mais contundentes foi a análise do crescimento da violência, atribuído por Cida a um fenômeno organizado de ódio digital. Ela citou estudos que mostram canais no YouTube com milhões de seguidores dedicados a pregar o desprezo pelas mulheres, ressaltando que 80% desses canais são monetizados.
A ex-ministra também alertou para a mudança no perfil da violência, que tem se tornado mais cruel. “A crueldade tem aumentado. E essa crueldade não vem à toa, ela vem exatamente desses processos construídos via internet, que são as redes sociais”, pontuou, defendendo a necessidade urgente de regulação das plataformas digitais.
Ao tratar dos dados de feminicídio, que registraram aumento de 2024 para 2025, Cida Gonçalves fez um apelo à responsabilidade de toda a sociedade, especialmente dos homens. “A sociedade autoriza a violência contra as mulheres quando se cala”, alertou
A palestra foi encerrada com uma mensagem de esperança e um chamado à solidariedade e ao afeto como ferramentas de transformação política. “Quando nós lutamos pela vida das mulheres, estamos lutando pelas famílias, pelas crianças e pelo futuro”, finalizou a ex-ministra.
Encerrando a programação, o grupo Sampri retornou ao palco para animar a confraternização final. O sindicato também sorteou mimos e cuidados pessoais, como sessões de massagem e kits de beleza, fechando o encontro com um balanço positivo de união e valorização da categoria.

Por: Comunicação do SEEBCG-MS
Fotos: Reginaldo de Oliveira/Martins e Santos Comunicação
Link: https://sindicario.com.br/mulher/com-casa-cheia-sindicato-recebe-ex-ministra-cida-goncalves-em-debate-pelo-mes-das-mulheres/