13 de Agosto de 2026 às 20:35
Desrespeito

Na sétima negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, realizada nesta quinta-feira, 13 de agosto, a Fenaban (Federação dos Bancos), mais uma vez, não apresentou um índice de reajuste para salários e demais verbas, frustrando toda a categoria.
“Saímos da mesa de negociação frustrados. Tínhamos a expectativa de que, após várias rodadas de negociação, a Fenaban finalmente apresentasse um índice de reajuste, mas isso não aconteceu. É um desrespeito com os trabalhadores bancários chegar à sétima rodada sem nenhum índice. Pelo contrário, apresentaram uma proposta de escalonamento para a categoria, também sem definir valores", disse a presidenta do SEEBCG-MS, Neide Rodrigues.

A proposta dos banqueiros foi de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais, mas sem dizer quais seriam os parâmetros dessas faixas e nem os percentuais que seriam definidos para cada uma delas.
A negociação, iniciada por volta das 10h da manhã, terminou às 18h. Durante os debates, a Fenaban chegou a propor reduzir o valor dos vales refeição e alimentação nas cidades do interior, isso porque, segundo a federação, são localidades do país com custos de alimentação menores. Somente nas grandes capitais os vales poderiam ter aumento.
“Eles não querem aumentar o custo, querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, criticou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
A representação dos banqueiros chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação de hoje, recuou.
“O setor bancário lucro R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, rebateu Juvandia, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou.
Diante da enrolação dos banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários convocará assembleias em todo país para a próxima segunda-feira, 17 de agosto, para que a categoria delibere sobre o modelo de reajuste, divisão da categoria e congelamento de piso, propostos pela Fenaban. A assembleia também irá deliberar sobre o dia nacional de mobilização, com paralisação nas bases na quinta-feira, 20 de agosto.
“As propostas da Fenaban vieram no sentido de dividir a categoria e atacar a nossa convenção coletiva. Tentaram fatiar o reajuste do vale-refeição por regiões do Brasil, além de propor reajustes diferenciados com base no ROI de cada banco, congelamento do piso e divisão por faixas salariais. É uma proposta inaceitável. Já a rejeitamos na mesa, mas levaremos o tema para a assembleia do dia 17 para que a categoria se posicione”, destacou a presidenta do sindicato, Neide Rodrigues.
“Vamos levar às assembleias a proposta de uma paralisação de 24 horas na próxima quinta-feira. É fundamental que toda a categoria participe, se mobilize, rejeite esta proposta de modelo de reajuste e mostre aos bancos que não vamos aceitar retrocessos”, enfatizou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
A votação da ASSEMBLEIA será das 20h às 23h (horário de Brasília), de forma virtual pelo sistema VotaBem: https://bancarios.votabem.com.br
Ver essa foto no Instagram
A próxima negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 está agendada para a próxima terça-feira, 18 de agosto.
Por: Contraf (com edição da Comunicação do SEEBCG-MS)
Link: https://sindicario.com.br/campanha-nacional-2026/bancos-frustram-bancarios-e-nao-trazem-indice-de-reajuste-salarial/